Pular para o conteúdo principal

As diferenças entre Maradona & Pelé

Durante o recente período "pré-Copa", o primeiro semestre de 2014, elaborou-se e desenvolveu-se um conceito: Legado da Copa. Entendeu-se como parte do tal legado, obras de mobilidade, estádios e demais melhorias nas cidades-sede. Porém, o que se viu foi que o conceito saiu do material e chegou ao imaterial. Um destes legados e, possivelmente perene, será o impacto do placar de 7x1, construído com oceânica facilidade - como se o confronto fosse de uma equipe profissional e outra amadora - pela Alemanha no jogo das semi-finais, e suas decorrências.

Mas, o que trato aqui é o mais novo e, provavelmente definitivo, capítulo na comparação apaixonada entre "Maradona e Pelé".  Os argentinos vieram ao Mundial com várias canções e  uma, em especial, chamou a atenção sendo considerada quase um hino: uma provocação, que faz referência a derrota brasileira para eles na Copa de 1990 - como se fosse importante. Bom, pelo menos pra eles, é - terminando com a frase "Maradona es mas grande que Pelé"  www.youtube.com/watch?v=MmsYcoPijqw

Evidentemente que, em uma comparação simples das trajetórias de ambos, e seus números (número de gols, títulos e etc...) a superioridade de Pelé é inquestionável. Porém,  o que se pode perceber, além dos números, é que Maradona tem mais a ver com o povo argentino do que Pelé tem a ver com povo brasileiro.  Pelé, apesar de negro e de origem humilde, não parece próximo do imaginário popular, pelo contrário, parece distante, posto em uma pedestal e de lá, não fez e não faz questão de sair. É uma personagem, quase uma estátua, sem erros, intocável.Parece que tanto o Pelé quanto o cidadão Edson Arantes do Nascimento, mesmo em suas tragédias pessoais, posicionaram-se, quase olimpicamente, distante do núcleo do problema.

Já Maradona, apesar dos títulos, da linda história no Napoli, das conquistas com a seleção, teve uma série de problemas, tanto no gramado quanto fora e depois dele. Sempre foi uma personagem sanguínea. Maradona, ao contrário de Pelé, nunca afastou-se  do cotidiano de seu país,  sempre teve opiniões fortes, por mais que fossem equivocadas. Até, a partir de seus problemas pessoais, a conexão de Maradona com os argentinos é maior e mais concreta que a de Pelé com os brasileiros.

Logo após a eliminação do Brasil e a classificação argentina para a final, o que se viu foi um Maradona, tal qual um maestro, regendo jornalistas argentinos - os mesmos com os quais já teve inúmeros atritos - que cantavam "Maradona és mas grande que Pelé". Enquanto isso, Pelé, mantendo sua distância habitual, silenciava...

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

TURMAS 301-303 (José Feijó)

  Brasil República (parte 1) Agora que já vimos a II Guerra Mundial, iremos tratar sobre o Brasil República. Se você quiser, (re)ler o texto sobre a II Guerra Mundial, clique aqui . O período inicial da República (1984 até 1930), conhecido também como República Velha , é caracterizado pelo coronelismo, pelo voto a cabresto. Estes termos significavam que o controle político ocorria em áreas rurais, as eleições eram fraudadas, vigiadas e as pessoas mais humildes votavam em que o “coroné” queria. A partir da gestão de Afonso Pena começou a vigorar a Política do café-com-leite que significava um revezamento na presidência entre políticos de São Paulo e Minas Gerais. O Estado de São Paulo era o maior produtor de café e Minas Gerais produzia leite. Este acordo vigorou de 1889 até 1930. Este foi um período em que também ocorriam inúmero conflitos populares tanto rurais quanto urbanos. Conflitos Rurais Podemos citar os seguintes exemplos: Canudos (Bahia),Cangaço(Bahia), Contestado(Pa...

Aspectos da política nacional.

Nos últimos meses temos uma insistência, por parte dos grupos midiáticos de sempre, de criar uma clima de instabilidade quando o assunto é o governo federal. Parece que ainda não assimilaram a derrota na eleição passada. Existe uma clara diferença de tratamento quando a crise é responsabilidade deste ou daquele partido. Vejamos alguns exemplos: a abordagem da crise da água em SP - governo do PSDB faz 20 anos - só entrou com mais força nos noticiários nacionais, quando começou a afetar os demais estados da região sudeste - RJ e MG . Seria uma forma de "nacionalizar" a crise paulista? Existem matérias da Folha de São Paulo, que dão conta de avisos a respeito deste futuro problema da água, que datam de 2004. Ou seja, os sucessivos governos do PSDB em SP perderam UMA DÉCADA, que poderia evitar ou reduzir substancialmente a atual crise. É engraçado que nenhum especialista diz em quanto tempo a situação irá se regularizar. Eu acredito que as opções abaixo resumem as possibilidad...

De quando conheci José Saramago.

1997. Mais precisamente naquele 10 de abril, em meio a um seminário sobre História e Literatura Brasil/Portugal, ocorrido na UFRGS, tive o prazer de conhecer José Saramago. Naquela época, eu era estagiário na Secretaria Municipal da  Cultura em um setor - que acredito não exista mais - em que, sem falsa modéstia, fervilhavam cultura, debate e conhecimento. Lembro que naquele ano eram lançados em bancas de revistas clássicos da lingua portuguesa a um preço módico, algo em torno de 10 reais. E 10 reais por um livro, até um estagiário da prefeitura podia pagar. Pois, compramos (eu e mais dois ou três colegas) um clássico de José Saramago, "O Evangelho Segundo Jesus Cristo" e, ao mesmo tempo que líamos, fazíamos debates sobre o trecho lido. Um dia, alguém chegou com a notícia que José Saramago viria à cidade para o já referido seminário e aquilo já nos fez pensar em entrevistá-lo. Uso esta expressão "entrevistá-lo", porque fazíamos parte de um jornal alternativo em que...